Matthew Harris da Mateo

  • Fotografia Francisco Nogueira

Matthew Harris, fundador da marca de Alta-Joalharia Mateo, inclui elementos portugueses nos interiores da sua casa em Lisboa.

Design em Lisboa: Quando começou a interessar-se em desenhar e criar joalharia? Lembra-se do que o seduziu em primeiro lugar?

Matthew Harris: Eu cresci rodeado pela criatividade da minha mãe. O design de Moda e o design de interiores foram talentos que eu acabei por herdar. Comecei a minha marca de Alta-Joalharia na primavera de 2009. O meu único objetivo naquele momento era criar joias intemporais para serem usadas todos os dias. A Rihanna usou uma peça minha e acabou por impulsionar a minha marca. O meu hobby e paixão transformaram-se num negócio. 

DL: Quando criou a Mateo NY? Como é que a marca mudou até hoje?

MH: A minha marca Mateo New York foi criada em 2009. Começou por ser uma marca de joalharia masculina, até se transformar numa marca de Alta-Joalharia para mulheres em 2015. A marca evoluiu bastante ao longo dos anos mas, de qualquer forma, acabei por manter sempre a nossa ética fundamental – a de criar peças de joalharia incríveis, para serem passadas de geração em geração. 

DL: O que é que o inspira?

MH: Inspiro-me muitas vezes em arte moderna e contemporânea. Alguns dos meus artistas favoritos incluem Alexander Calder, Wassily Kandisky e Brancusi. Podemos ver elementos do trabalho destes artistas em todo o meu trabalho. Inspiro-me também pelo meu país, a Jamaica, e nos meus amigos próximos. Mas, ao ser uma marca de Nova Iorque, também se reflete a inspiração na cidade e nas pessoas que aqui vivem.

Quando lancei a Mateo New York, queria criar uma marca que fosse inclusiva e acolhedora. Quero que pessoas jovens possam comprar as nossas peças, estar à vontade, que sintam que pertencem.

DL: Pode-nos contar sobre o processo de criação de uma peça especial da coleção? Quanto tempo leva? 

MH: Cada peça desenvolvida começa com um simples rascunho. O que eu gosto particularmente na produção de joias é que um esboço acaba por ser transformado numa peça sofisticada e preciosa. Este esboço é então enviado para a nossa equipa de produção que o transforma num desenho digital ou num render da peça. Quando estamos felizes com o resultado final, e o modelo digital é aprovado, é enviado posteriormente para seleção. Cada peça é então fundida em ouro maciço e começa o trabalho do ourives. 

O outro é polido para que os diamantes, as pedras preciosas e as pérolas sejam inseridas, com rigor e perfeição. De seguida é realizada uma inspeção final da peça. Temos muito orgulho no nosso trabalho e na nossa arte. 

DL: O que faz com que o seu trabalho seja tão único e sua marca uma referência, ao falar de joalharia contemporânea?

MH: O que faz a nossa marca ser tão especial é a criação e desenvolvimento de peças de Alta-Joalharia criadas de forma pessoal e com preços acessíveis, ainda que num nicho de luxo. Lembro-me de que, quando era mais jovem, sentia-me intimidado quando entrava na típica joalharia tradicional, e tinha medo de perguntar os preços. Quando lancei a Mateo New York, queria criar uma marca que fosse inclusiva e acolhedora. Quero que pessoas jovens possam comprar as nossas peças, estar à vontade, que sintam que pertencem. 

Os nossos designs também nos diferenciam. Duas das nossas colecções de assinatura, a Secret Initial Collection e a Baroque Pearl continuam a ser as nossas coleções mais vendidas até hoje. 

DL: Porque se mudou para Lisboa? Planeia ficar na cidade?

MH: Há vinte anos produzi minha primeira coleção de carteiras de mão no Norte de Portugal e apaixonei-me pelo país. Então Portugal, Lisboa, vai ser sempre a minha casa. 

DL: O quão diferente é Lisboa de outras capitais do mundo? 

MH: Lisboa é muito cosmopolita, por isso não posso dizer que é muito diferente de outras capitais no mundo. Sim, diversos ajustes DEVEM ser feitos para viver aqui em Lisboa. Mas a cidade é incrível. Comida incrível, cultura, qualidade de vida, e além disto a praia está apenas a alguns passos de distância. O que mais se pode querer? 

DL: Quais foram as maiores referências para o desenvolvimento do projeto de interiores para o seu apartamento em Lisboa?

MH: A minha casa em Lisboa é um verdadeiro refúgio. Queria que fosse completamente diferente das minhas outras casas. Normalmente eu sigo uma estética minimalista, com preto e branco sólidos, quase como se os espaços fossem uma galeria. Mas a minha casa em Lisboa é como um abraço quente! Ainda que seja moderna, as paredes foram pintadas com um tom suave de branco e escolhemos bonitos tapetes de Alexander Calder e Jean Cocteau, sofisticados sofás togo vintage, um inesperado verde esmeralda, móveis brasileiros (que acabam por ser peças statement de design) e móveis antigos portugueses. 

Além disso, quis honrar Portugal em minha casa, então tive um estúdio de azulejos a pintar à mão a casa de banho do quarto principal. É maravilhoso. 

DL: A cor tem um importante papel nos interiores desta casa. Como foi o processo de escolha das tonalidades – incluindo o forte verde sólido em uma das paredes – e conectá-los às peças de design? 

MH: Na verdade eu sou mesmo um minimalista e costumo manter-me afastado das cores. Eu gosto de entrar num espaço e que tudo sussurre quietamente. Não gosto de cores agressivas que GRITAM! Dito isto, sou extremamente meticuloso na escolha de cores para os meus projetos. De alguma maneira, as tonalidades conectam-se com a joalharia. Luxuosos e ricos verdes esmeralda, vibrantes azuis lapis, densos negros onyx, para nomear alguns. Na casa em Lisboa, queria mesmo um gabinete de joias de tom decadente. A equipa e eu pintámos o ambiente penso que onze vezes para atingir o certo e preciso tom de verde esmeralda. No final, valeu a pena. 

DL: Como descobriu a QuartoSala? Qual peça de design selecionou da curadoria do QuartoSala?

MH: Moro perto da loja da Rua do Século, então um dia quando decidi explorar o Príncipe Real entrei no espaço. Pela janela podia ver vários dos meus designers preferidos como Micheal Anastassiades, entre outros. Apaixonei-me pela coleção brasileira quando descobri designers como Jader Almeida. 

DL: Qual é o seu espaço preferido da casa e porquê?

MH: Hmmmm, essa é sempre uma pergunta difícil porque realmente adoro a minha casa em Lisboa. A casa de banho principal tem um lugar especial no meu coração por ter sido pintada a mão e por ser um tributo à cidade.

DL: Quais são os seus planos para o futuro? 

MH: O plano para o futuro próximo é abrir uma MATEO boutique, loja conceito no Príncipe Real este verão. Oficialmente abrirá em junho de 2024. 

Matthew Harris nasceu em Montego Bay, na Jamaica, e chegou aos EUA com apenas 16 anos para frequentar a faculdade. Depois de completar os seus estudos, descobriu a sua verdadeira paixão em Nova Iorque – a arte da joalharia. Depois de aperfeiçoar o seu ofício, a marca Mateo New York foi lançada em março de 2009. A marca começou por criar exclusivamente joias para homem, com a primeira coleção a inspirar-se no conceito da caixa de ferramentas. Em 2014, foi lançada a coleção deAlta-Joalharia para mulher. As coleções exibem a verdadeira estética da simplicidade e minimalismo, inspirando-se na arte moderna para a mulher de agora. Atualmente, a marca é vendida em algumas das lojas e sites mais reconhecidos internacionalmente, incluindo o Net-A-Porter, Matches Fashion, Browns, FarFetch e 1stDibs, para citar alguns.

Matthew Harris da Mateo

  • Fotografia Francisco Nogueira

Matthew Harris, fundador da marca de Alta-Joalharia Mateo, inclui elementos portugueses nos interiores da sua casa em Lisboa.

Design em Lisboa: Quando começou a interessar-se em desenhar e criar joalharia? Lembra-se do que o seduziu em primeiro lugar?

Matthew Harris: Eu cresci rodeado pela criatividade da minha mãe. O design de Moda e o design de interiores foram talentos que eu acabei por herdar. Comecei a minha marca de Alta-Joalharia na primavera de 2009. O meu único objetivo naquele momento era criar joias intemporais para serem usadas todos os dias. A Rihanna usou uma peça minha e acabou por impulsionar a minha marca. O meu hobby e paixão transformaram-se num negócio. 

DL: Quando criou a Mateo NY? Como é que a marca mudou até hoje?

MH: A minha marca Mateo New York foi criada em 2009. Começou por ser uma marca de joalharia masculina, até se transformar numa marca de Alta-Joalharia para mulheres em 2015. A marca evoluiu bastante ao longo dos anos mas, de qualquer forma, acabei por manter sempre a nossa ética fundamental – a de criar peças de joalharia incríveis, para serem passadas de geração em geração. 

DL: O que é que o inspira?

MH: Inspiro-me muitas vezes em arte moderna e contemporânea. Alguns dos meus artistas favoritos incluem Alexander Calder, Wassily Kandisky e Brancusi. Podemos ver elementos do trabalho destes artistas em todo o meu trabalho. Inspiro-me também pelo meu país, a Jamaica, e nos meus amigos próximos. Mas, ao ser uma marca de Nova Iorque, também se reflete a inspiração na cidade e nas pessoas que aqui vivem.

Quando lancei a Mateo New York, queria criar uma marca que fosse inclusiva e acolhedora. Quero que pessoas jovens possam comprar as nossas peças, estar à vontade, que sintam que pertencem.

DL: Pode-nos contar sobre o processo de criação de uma peça especial da coleção? Quanto tempo leva? 

MH: Cada peça desenvolvida começa com um simples rascunho. O que eu gosto particularmente na produção de joias é que um esboço acaba por ser transformado numa peça sofisticada e preciosa. Este esboço é então enviado para a nossa equipa de produção que o transforma num desenho digital ou num render da peça. Quando estamos felizes com o resultado final, e o modelo digital é aprovado, é enviado posteriormente para seleção. Cada peça é então fundida em ouro maciço e começa o trabalho do ourives. 

O outro é polido para que os diamantes, as pedras preciosas e as pérolas sejam inseridas, com rigor e perfeição. De seguida é realizada uma inspeção final da peça. Temos muito orgulho no nosso trabalho e na nossa arte. 

DL: O que faz com que o seu trabalho seja tão único e sua marca uma referência, ao falar de joalharia contemporânea?

MH: O que faz a nossa marca ser tão especial é a criação e desenvolvimento de peças de Alta-Joalharia criadas de forma pessoal e com preços acessíveis, ainda que num nicho de luxo. Lembro-me de que, quando era mais jovem, sentia-me intimidado quando entrava na típica joalharia tradicional, e tinha medo de perguntar os preços. Quando lancei a Mateo New York, queria criar uma marca que fosse inclusiva e acolhedora. Quero que pessoas jovens possam comprar as nossas peças, estar à vontade, que sintam que pertencem. 

Os nossos designs também nos diferenciam. Duas das nossas colecções de assinatura, a Secret Initial Collection e a Baroque Pearl continuam a ser as nossas coleções mais vendidas até hoje. 

DL: Porque se mudou para Lisboa? Planeia ficar na cidade?

MH: Há vinte anos produzi minha primeira coleção de carteiras de mão no Norte de Portugal e apaixonei-me pelo país. Então Portugal, Lisboa, vai ser sempre a minha casa. 

DL: O quão diferente é Lisboa de outras capitais do mundo? 

MH: Lisboa é muito cosmopolita, por isso não posso dizer que é muito diferente de outras capitais no mundo. Sim, diversos ajustes DEVEM ser feitos para viver aqui em Lisboa. Mas a cidade é incrível. Comida incrível, cultura, qualidade de vida, e além disto a praia está apenas a alguns passos de distância. O que mais se pode querer? 

DL: Quais foram as maiores referências para o desenvolvimento do projeto de interiores para o seu apartamento em Lisboa?

MH: A minha casa em Lisboa é um verdadeiro refúgio. Queria que fosse completamente diferente das minhas outras casas. Normalmente eu sigo uma estética minimalista, com preto e branco sólidos, quase como se os espaços fossem uma galeria. Mas a minha casa em Lisboa é como um abraço quente! Ainda que seja moderna, as paredes foram pintadas com um tom suave de branco e escolhemos bonitos tapetes de Alexander Calder e Jean Cocteau, sofisticados sofás togo vintage, um inesperado verde esmeralda, móveis brasileiros (que acabam por ser peças statement de design) e móveis antigos portugueses. 

Além disso, quis honrar Portugal em minha casa, então tive um estúdio de azulejos a pintar à mão a casa de banho do quarto principal. É maravilhoso. 

DL: A cor tem um importante papel nos interiores desta casa. Como foi o processo de escolha das tonalidades – incluindo o forte verde sólido em uma das paredes – e conectá-los às peças de design? 

MH: Na verdade eu sou mesmo um minimalista e costumo manter-me afastado das cores. Eu gosto de entrar num espaço e que tudo sussurre quietamente. Não gosto de cores agressivas que GRITAM! Dito isto, sou extremamente meticuloso na escolha de cores para os meus projetos. De alguma maneira, as tonalidades conectam-se com a joalharia. Luxuosos e ricos verdes esmeralda, vibrantes azuis lapis, densos negros onyx, para nomear alguns. Na casa em Lisboa, queria mesmo um gabinete de joias de tom decadente. A equipa e eu pintámos o ambiente penso que onze vezes para atingir o certo e preciso tom de verde esmeralda. No final, valeu a pena. 

DL: Como descobriu a QuartoSala? Qual peça de design selecionou da curadoria do QuartoSala?

MH: Moro perto da loja da Rua do Século, então um dia quando decidi explorar o Príncipe Real entrei no espaço. Pela janela podia ver vários dos meus designers preferidos como Micheal Anastassiades, entre outros. Apaixonei-me pela coleção brasileira quando descobri designers como Jader Almeida. 

DL: Qual é o seu espaço preferido da casa e porquê?

MH: Hmmmm, essa é sempre uma pergunta difícil porque realmente adoro a minha casa em Lisboa. A casa de banho principal tem um lugar especial no meu coração por ter sido pintada a mão e por ser um tributo à cidade.

DL: Quais são os seus planos para o futuro? 

MH: O plano para o futuro próximo é abrir uma MATEO boutique, loja conceito no Príncipe Real este verão. Oficialmente abrirá em junho de 2024. 

Matthew Harris nasceu em Montego Bay, na Jamaica, e chegou aos EUA com apenas 16 anos para frequentar a faculdade. Depois de completar os seus estudos, descobriu a sua verdadeira paixão em Nova Iorque – a arte da joalharia. Depois de aperfeiçoar o seu ofício, a marca Mateo New York foi lançada em março de 2009. A marca começou por criar exclusivamente joias para homem, com a primeira coleção a inspirar-se no conceito da caixa de ferramentas. Em 2014, foi lançada a coleção deAlta-Joalharia para mulher. As coleções exibem a verdadeira estética da simplicidade e minimalismo, inspirando-se na arte moderna para a mulher de agora. Atualmente, a marca é vendida em algumas das lojas e sites mais reconhecidos internacionalmente, incluindo o Net-A-Porter, Matches Fashion, Browns, FarFetch e 1stDibs, para citar alguns.